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Racismo no futebol brasileiro

João Paulo Medina

medina@cidadedofutebol.com.br

 

Em um estudo acadêmico realizado no Departamento de Psicologia na Universidade Federal da Paraíba observou-se o caráter essencialmente contraditório da discriminação racial no Brasil.

Neste estudo constatou-se, entre outras coisas, que praticamente todos os 120 universitários entrevistados na pesquisa afirmaram existir preconceito racial no Brasil. Entretanto, e curiosamente, a grande maioria desses estudantes não se considerava preconceituosa.

Mas muitas outras facetas dessas contradições de nossa sociedade hierarquizada, segregacionista e, muitas vezes, antidemocrática podem ser notadas no futebol brasileiro.

Sabe-se que desde o final do século XIX, quando o futebol foi introduzido no Brasil, até por volta dos anos 20 do século passado, esta modalidade esportiva era praticada quase que exclusivamente por brancos e ricos.

Outro dia deparei com um artigo muito interessante sobre racismo no futebol escrito por Mário Prata, comentando um texto do jornalista Maurício Cardoso.

Ele comenta que entre 1923 e 1924 o Vasco da Gama causou alvoroço quando, com uma equipe formada por mulatos, negros e pobres, ganhou o bicampeonato carioca.

Conta também que nesta época “os brancos, ricos e finos, ainda tentaram resistir à entrada no negro no futebol criando uma regra especial: quando um branco cometia falta violenta sobre um jogador negro, o árbitro a assinalava e o jogo continuava. Quando o negro, por sua vez, cometia falta violenta sobre um branco, o juiz apitava e, antes da falta ser marcada, o branco tinha direito de responder à violência.” Ou seja, dois pesos duas medidas e a evidência explícita do preconceito.

Mas o articulista continua seu relato: “Às vezes até a torcida e a polícia entravam em campo para bater no infrator escuro. Resultado: os negros preferiram evitar as bolas divididas. Em vez de enfrentar os adversários, passaram a fintá-los”.

Dizem alguns estudiosos de nossa sociologia que tal gesto de resistência criativa exercida pelo negro consagrou definitivamente o drible no futebol brasileiro.

E aí, consubstanciando-se mais uma contradição da nossa cultura, observa-se o racismo produzindo arte, através da ginga, malandragem e perspicácia do negro brasileiro.



 Escrito por ecypiranga@bol.com.br às 13h12 [] [envie esta mensagem]






O papel do professor no ensino do futebol

Reflexão engloba o sentido mais amplo da profissão

Equipe Cidade do Futebol

Significar alguém é assumir uma atitude de não-indiferença e atribuir um valor a essa pessoa. Quando significamos alguém, essa pessoa pode receber um valor positivo ou um contravalor negativo. E o valor (ou contravalor) é tudo aquilo que é capaz de fazer o homem inclinar-se e optar por uma direção. A partir desses conceitos, torna-se possível uma tentativa de classificação da profissão de professor.

O professor é um educador. E como professor, tem a incumbência de ensinar valores a seus alunos. O papel do professor é identificar, incorporar e viver valores. Portanto, o técnico (ou professor de educação física) deve criar oportunidades educativas para seus atletas no início do contato com o esporte.

Mais do que aprender táticas ou técnicas do jogo, as crianças precisam ter o esporte como meio de adquirirem valores fundamentais para a formação de seu caráter. Dessa maneira, o futebol pode se tornar num meio de integração social.

Através do esporte, o professor de educação física pode endereçar a criança para onde quiser. No jogo, por exemplo, ela tem a bola, aquilo que mais ama, e passa para outro fazer o gol. Com isso, a criança se realiza na ação do outro e cria relações de interação social muito mais fortes do que um milhão de aulas teóricas.

Na iniciação esportiva, o professor não pode mais se limitar a ensinar / aprimorar os conceitos do jogo. Em vez disso, a atividade física deve funcionar como um processo educativo, de interação e desenvolvimento social.

Isso reflete uma mudança no conceito global de educação física, que não pode mais se limitar ao aspecto físico ou técnico. A criança, mesmo como atleta, não deixa de ser uma unidade e um fenômeno social, cultural, econômico e político.

Para tanto, é preciso que a criança se relacione com o futebol de maneira lúdica, com prazer e muita alegria. O momento esportivo tem de ser diferente, formativo e educativo, ainda que competitivo. É preciso que se trabalhe outros valores além da busca pela vitória. O importante é conviver com o esporte de forma prazerosa, sem rótulos e sem cobranças.

Outra questão importante é a formação do profissional. No caso do futebol, ainda existem muitas pessoas não-formadas trabalhando com crianças. Entretanto, a qualificação profissional é essencial para a compreensão do processo global de iniciação esportiva, bem como as fases de desenvolvimento do jovem esportista.

A criança é um estudo árduo, complexo e amplo, que requer do profissional uma porção enorme de dedicação, paciência e competência – não apenas técnica, mas social e emocional.

Ser competente é ser capaz de, entre outras coisas, ler a realidade completa, problematizar, propor alternativas, interferir objetiva e qualitativamente no que se faz, conhecer os fins e objetivos do esporte, conhecer as características da criança e inter-relacionar teoria e prática.

Bibliografia

FILGUEIRA, Fabrício M.. Futebol – uma visão da iniciação esportiva. Editora RiberGráfica, 2004.



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