No futebol e no universo há muitas leis cujos sentidos convergem. Duas vertentes intrigam os cientistas atualmente, na busca de uma resposta para o exato momento em que a grande explosão (Big Bang), descoberta pelo cientista Edwin Hubble, deu origem ao universo.
Uma diz respeito ao macrocosmos, um espaço extraordinariamente amplo. É a Teoria Geral da Relatividade, de Albert Einstein, lançada em 1916. Nela, estudos de Copérnico, Galileu Galilei, Isaac Newton, em tempos anteriores, foram aprofundados, na busca de uma explicação para as movimentações dos planetas, no conceito que se chama espaço-tempo.
Einstein chegou à conclusão de que massa e energia se equivalem e que somente a velocidade da luz é constante. O resto é relativo, inclusive as distâncias e as imagens do céu que chegam à retina humana, muitas vezes frutos de luz defletida em um espaço arqueado pela gravidade. Ou seja, podemos ver uma estrela que não está necessariamente localizada no ponto de onde vem aquela luz.
Por outro lado, a mecânica quântica, inaugurada pelo cientista Max Planck em 1900, combateu o determinismo de Laplace, vigente na época, criando o quantum, unidade que mede a cota de energia de determinadas partículas. Depois, o alemão Werner Heisenberg criou o princípio da incerteza. Na mecânica quântica, o foco do estudo são os fenômenos ocorridos em um universo micro, extraordinariamente minúsculo.
Incertezas
No princípio da incerteza, a base de tudo são as partículas e as ondas, que conceitualmente podem se transformar umas nas outras. E ao se projetar luz pelas partículas, ele percebeu que quanto mais precisamente se tentar medir a posição das partículas menos precisamente se poderá medir sua velocidade, e vice-versa. Os cálculos, portanto, são feitos na base da probabilidade, sendo impossível determinar a posição exata de uma partícula.
O grande enigma, para os cientistas é conciliar a teoria da relatividade à mecânica quântica, que só não consegue se aplicar à gravidade e ao universo macro, bases da teoria de Einstein. Quando os estudos alcançarem alguma resposta, talvez o grande enigma sobre a origem do universo e da vida serão decifrados.
Enquanto isso, falamos de futebol, política e outras bobagens que preenchem nosso dia-a-dia no nosso restrito espaço-tempo. E se considerássemos o futebol uma galáxia entre as tantas que existem? Bem plausível. Os jogadores seriam planetas correndo atrás do sol, a bola, afetando o coração de todos os outros habitantes do Planeta Terra, no conceito macro da relatividade.
Eles, porém, também se movimentam de uma maneira que é impossível para o técnico decifrar a exata colocação. Ele pode supor ou determinar por probabilidade o posicionamento de cada um, formando a tática de uma equipe. Como um cientista deduz a probabilidade da movimentação das partículas e ondas.
A real diversão
O juiz também tem a mesma atribuição: interpretar de forma subjetiva o posicionamento dos atletas, tentando em milésimos de segundo decifrar impedimentos, pênaltis ou faltas. Ninguém aqui quer ser estraga prazer para chegar a uma conclusão sobre o princípio do universo. Seria muita pretensão para um simples mortal, ignorante como o que vos escreve.
Por outro lado, estou cada vez menos dando ouvidos a teorias deterministas que tudo decifram, apontam pênaltis claros, sentenciam juízes, jogadores e técnicos por erros de orientação e posicionamento. Seria mais gostoso e divertido encarar o futebol de acordo com seus princípios universais de dúvida e relatividade. A luz que chega à retina de um juiz pode ser diferente da que chega aos olhos do comentarista. O futebol, como a física, tem dimensões cósmicas, ao gerar a paixão de milhões de torcedores. Seu universo é macro. Mas sua essência é quântica. E ambos jamais irão se conciliar até que outro gênio da Ciência não desfaça o angustiante, mas saudável, princípio da incerteza.