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As “feras do Saldanha” Por Léo Lince O fracasso da seleção brasileira na copa da Alemanha foi contundente e revelador. Muitas opiniões críticas, na forma do jogral multitudinário que invadiu a seção dos leitores de todos os jornais, cuidaram de tratar o sucedido como expressão concentrada do atual momento brasileiro. Faz sentido. Recolho, destas páginas pouco lidas, algumas pérolas da voz anônima das ruas. Houve quem dissesse, por exemplo, que: “a apatia da nossa seleção é o reflexo da apatia da sociedade brasileira com a situação atual do país”. E sugere que está na hora de acordar e mudar “a atual seleção de políticos que hoje nos representa”. Em outra carta se diz: “Brasil, um país de todos. Todos os carentes de educação e saúde, de emprego. País dos pobres-fáceis-de-governar. Do futebol fantasma destes milionários sem pátria, esquecidos da sua própria história, sem compromisso”. Mais uma: “essa seleção é coerente com a época em que o país vive. Tem bons recursos humanos, um técnico bom de discurso, sem tática, estratégia (...) igual ao governo”. Ou esta, que sumariza: “a seleção dos comerciais não conseguiu jogar ao vivo”. “Nunca fomos tão individualistas, sem sentido de equipe”, disparou o famoso cronista carioca. E aconselhou a volta das chuteiras pretas: “faltou ela, digna e cheia de lama”. Segundo Joaquim Ferreira dos Santos, “a chuteira preta, coisa de museu no Maracanã, é a prima pobre da chuteira amarela – mas tem vergonha na cara”. E lamenta: “a chuteira preta é senhora obsoleta na terra dos bandidos espertos”. Nelson Rodrigues, para quem “a mais sórdida pelada tem uma complexidade shakespeareana”, dizia que “quem ganha e perde as partidas é a alma”. Faltou alma. A alma brasileira anda vagando sem rumo, desencarnada não apenas do futebol. Havia mais jogadores em ação no campeonato brasileiro nas outras seleções do que na nossa. Nenhum Garrincha, “varado de luz como um santo de vitral”; nenhum Amarildo, o possesso, “o autor do Amarildo é o Dostoievski”; nenhum Bellini, que na hora do aperto “chutava até a bola”. Todos se lembram das “feras do Saldanha”, o João sem medo. A alma no bico das chuteiras, a garra e a arte combinadas no espírito coletivo. Foi o que nos faltou. O problema de hoje também não é mais o “narciso às avessas, que cospe na própria imagem”. É o salto alto patrocinado de quem ajeita a meia na hora do perigo. O narciso de aluguel, inteiramente entregue aos desígnios da máquina mercante. Seleção de “lobistas de si próprios”, expressão de um momento triste onde o dinheiro passeia rindo. Futebol pequeno, imagem reflexa da pequena política. Para os dois casos, a voz do povo reclama o retorno rápido das “feras do Saldanha”. Fonte: Correio da Cidadania Escrito por ecypiranga@bol.com.br às 09h36
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Este é o novo time do E.C.Ypiranga Nosso E.C.Ypiranga nasceu em 1906 sob o signo da igualdade e da democracia. Se o Vasco da Gama foi pioneiro em colocar atletas negros para jogar futebol, na época um esporte da elite, aqui na Bahia este orgulho pertence ao Ypiranga. O inesquecível Popó (Apolinário Santana) é um exemplo do que representa o Ypiranga para a História de nosso país. Vamos torcer com toda a nossa emoção e empenho para levar o nosso E.C.Ypiranga para o lugar que ele nunca deveria ter saído. Escrito por ecypiranga@bol.com.br às 09h35
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